Onde estão os bons empregos em 2015

Não será em 2015 que a economia brasileira vai se recuperar do mau desempenho do ano passado. Em janeiro, o boletim Focus, do Banco Central, que traz estimativas das principais instituições financeiras, previa um crescimento de 0,13% para o PIB brasileiro neste ano, um reflexo da desaceleração econômica que já provoca queda nas contratações e demissões na indústria e na construção civil. A previsão é que o mercado de trabalho fique estagnado neste ano, com a taxa de desemprego na casa de 7,1%, acima da média da América Latina (6,8%), segundo estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O problema é que o desejo do brasileiro de mudar de emprego em busca de mais satisfação ou valorização profissional vem aumentando em ritmo inversamente proporcional às taxas de crescimento da economia. De acordo com uma pesquisa com 8 500 profissionais de nível superior, conduzida pela empresa de recrutamento Hays em parceria com o Insper, 79,17% dos entrevistados disseram almejar uma nova oportunidade neste ano — ante 76,7% na edição anterior do levantamento. Outro estudo, do site de empregos Catho, também detectou o desejo de mudar de trabalho — 67,7% disseram ter planos de buscar uma nova vaga em 2015. “Mesmo que haja incerteza no ar, os profissionais consideram abrir mão de lugares onde se sentem estagnados”, afirma Luís Testa, diretor de pesquisa e estratégia da Catho. Alguns setores devem continuar a contratar neste ano, embora sejam poucos (veja quadros). Se você está em um deles e tem planos de mudar de trabalho, será um dos privilegiados que poderão assumir mais riscos na hora de fazer a mudança. O administrador de empresas Daniel Kano, de 31 anos, trocou em 2014 uma posição de controller na Syngenta, uma das líderes mundiais do agronegócio, na qual estava há dez anos, por uma similar na NexSteppe, startup californiana especializada em sementes para a produção de biocombustíveis, com apenas 40 funcionários no Brasil. “Foi uma mudança que deu um frio na barriga, mas fiz o processo de seleção diretamente com o CFO e com a fundadora da NexSteppe. Eles me mostraram o que a empresa poderia me oferecer de conhecimento e aprendizado”, diz Daniel. Na mudança, ele conseguiu aumento de 13% no salário. Para quem não está num dos setores aquecidos, a troca deve ser mais demorada. Na pesquisa Hays Insper, 37,3% dos trabalhadores desempregados estão buscando um posto há mais de seis meses. Na pesquisa anterior, a parcela era de 25,2% do total. Os números são coerentes com a postura mais austera das empresas: as que não pretendiam aumentar o quadro eram 39% no começo de 2014, ante 44% em 2015. Por isso, quem for tentar uma nova vaga deve se preparar para uma concorrência maior. “Quando a economia está estagnada, as empresas fazem uma seleção mais criteriosa, que se alonga e envolve mais gente”, diz Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half, empresa de recrutamento executivo de São Paulo. Alguns profissionais terão mais chances. É o caso dos cargos técnicos e gerentes, considerados importantes para obter maior eficiência e produtividade num ano de recursos mais magros. Os primeiros porque são treinados para melhorar os processos, e os últimos, como lideranças, são considerados cruciais para fazer com que as equipes alcancem suas metas. “Os empregadores estarão de olho naqueles que conseguiram passar pela turbulência de 2014 entregando bons resultados e que poderiam trazer essa experiência para o novo trabalho”, afirma Rodrigo Soares, diretor comercial da Hays. As competências valorizadas pelas corporações se alteram num cenário como o atual. O levantamento da Hays e do Insper mostrou que, em momentos de crise, o que 49,8% dos empregadores mais valorizam é a capaci­dade de adaptação. “Essa pessoa vai precisar demonstrar ter energia, pois será um ano que vai exigir muito física, mental e emocionalmente dos profissionais, que precisarão mostrar resultados”, diz Bernardo Cavour, sócio da Flow Executive Finders, de São Paulo.“É preciso saber se comunicar bem, trabalhar em equipe e ser multidisciplinar.” Os candidatos não devem contar com aumentos de salário substanciais se quiserem migrar para outras empresas. “De maneira geral, as transições estão ocorrendo com um incremento salarial de 10%”, afirma Fernando, da Robert Half. Nos níveis executivos, as empresas têm tentado contrabalançar a proposta salarial — que resulta em crescimento das despesas fixas com a folha de pagamentos — com benefícios e bônus atrelados aos resultados. “Na composição do pacote de ganhos anual, 50% têm sido de remuneração variável, tendência que deve se manter”, diz João Marcio Souza, da Talenses, empresa de recrutamento de São Paulo. Os especialistas aconselham, portanto, que o salário não seja o principal motivo para a busca d